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O cortiço de Aluísio Azevedo: a paisagem à flor

(e à cor) da pele

Entretanto, a rua lá fora povoava-se de um modo admirável. Construía-se mal, porém muito; surgiam chalets e casinhas da noite para o dia; subiam os aluguéis; as propriedades dobravam de valor. Montara-se uma fábrica de massas italianas e outra de velas, e os trabalhadores passavam de manhã e às Ave-Marias, e a maior parte delles ia comer á casa de pasto que João Romão arranjára aos fundos da sua venda. Abriram-se novas tavernas; mas nenhuma porém, conseguia ser tão afreguesada como a dele.

 

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

Rio de Janeiro:  B. L. Garnier, 1890, pp. 23-24.

Em 1890, Aluísio Azevedo (1857-1913) publica o romance O cortiço. Nesta obra, o autor retrata o crescimento do Rio de Janeiro em finais do século XIX, o aumento da população e o surgimento de núcleos habitacionais miseráveis, os chamados cortiços, nos quais se aglomeravam os que ali iam chegando à procura de trabalho. Inspirado nessa configuração socioespacial, o romance difunde as teses realistas-naturalistas que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico. Com o cenário escolhido, o de uma habitação coletiva, que reúne toda a sorte de desamparados sociais, o autor visa criticar a realidade corrompida do espaço urbano no Brasil da época.

Cortiço conhecido como Cabeça de Porco, na zona portuária do Rio de Janeiro, em 1880. Foto: Marc Ferrez

A história se passa no novo bairro de Botafogo, que se beneficia do incremento dos serviços, do comércio e do crescimento populacional, estimulados pela chegada da corte portuguesa, em 1808. Com clima agradável e cercada de belezas naturais, a freguesia de Botafogo começa então a atrair a atenção do corpo diplomático credenciado junto à corte portuguesa, dos nobres da corte, bem como de comerciantes ricos, que procuram áreas afastadas das freguesias centrais. Aí encontramos, por exemplo, a casa que D. Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, mandou construir na enseada de Botafogo (c. 1810), na esquina do Caminho Novo, atual Rua Marquês de Abrantes.

Palacete de Carlota Joaquina na Praia de Botafogo, Conde de Clarac, 1816, Museu Imperial de Petrópolis, Coleção Geyer.

Na primeira metade do século XX, ocorre uma transformação no perfil de seu morador típico: de bairro nobre, até então reduto privilegiado da aristocracia, Botafogo passa a bairro de acolhimento de uma população diferenciada de funcionários públicos, militares, operários, artesãos, comerciantes e bancários. É então que surgem os primeiros cortiços e as primeiras vilas, construídos em grande número. Botafogo converte-se num bairro de ligação entre o centro e os novos bairros que vão sendo urbanizados e integrados à malha urbana da cidade. E, assim, temos em O cortiço a representação de uma paisagem híbrida, como é próprio das paisagens suburbanas (Qviström, 2013). Ali vivem, paredes meias, os mais abonados e aqueles que os servem, como bem retrata Aluísio Azevedo ao encostar o edificado miserável do cortiço, propriedade do vendeiro português João Romão, ao distinto sobrado dos Miranda (p.14). Uma proximidade física que está na origem da rivalidade entre os dois personagens que perpassa a obra:

Foi por isso que o Miranda comprou o predio vizinho a João Romão.

A casa era boa; o seu único defeito estava na escassez do quintal; mas para isso havia remedio: com muito pouco compravam-se umas dez braças daquele terreno do fundo, que ia até à pedreira, e mais uns dez ou quinze palmos do lado em que ficava a venda.

Miranda foi logo entender-se com o Romão e propôs-lhe negócio. O taverneiro recusou formalmente.

 

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

Rio de Janeiro:  B. L. Garnier, 1890, p. 19.

Decidido a criar uma “estalagem em ponto enorme, uma estalagem monstro” (p. 21), João Romão vaticina: “ainda lhe hei de entrar pelos fundos da casa [...]. Mais cedo ou mais tarde como-lhe [...] todo o quintal e até o próprio sobrado talvez!” (p.22).

Sobrado da aristocrática família Guinle construído em 1912 na Praia de Botafogo.

Assim, vemos como, na paisagem socialmente estratificada e espacialmente reduzida, coexistem exploradores e explorados, fixados pelo autor por grupos sociais distintos, marcados pelos princípios do determinismo biológico, social e ambiental que definem o comportamento humano. O bairro de Botafogo, e em particular a vida cotidiana do cortiço, exprime essa realidade paradoxal: ricos e pobres, mulatos e brancos, senhores e escravos, religiosos e pervertidos, homem e mulher. João Romão que arrebanha para si a escrava Bertoleza, escancara e naturaliza a questão racial. Após convencer Bertoleza de que confiar a ele suas economias lhe renderia a alforria relativamente ao antigo senhor, João Romão a toma para si, como seu novo proprietário. A escrava, agora sob a alçada de um novo senhor, segue sendo “sempre a mesma crioula suja, sempre atrapalhada de serviço, sem domingo nem dia santo; essa, em nada, em nada absolutamente, participava das novas regalias do amigo; pelo contrario, à medida que elle galgava posição social, a desgraçada fazia-se mais e mais escrava e rasteira” (p. 221-222). Uma relação que entendemos como uma forma de Aluísio Azevedo, abolicionista convicto, denunciar a existência de uma escravatura encapotada, a perpetuação da fragilidade que mantém escravo um alforriado e o fato de a cor da pele se manter obstáculo à mobilidade social. Pobre, mas branco, João Romão enriquece e ascende; a negra Bertoleza jamais poderá fazê-lo.

Representação de Bertoleza e João Romão.

Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Com Miranda, João Romão compete em poder, mas também em status social. Ambos nutrem sentimentos vis. O ódio e a inveja são recíprocos em dois homens que se perdem numa busca desmedida pela ascensão, envolvida em questões superficiais que alimentam a degradação e decadência de ambos. Miranda não se conforma com o modo como o vendeiro português fez fortuna. De si próprio lamenta: “— Fui uma besta! repisava ele sem conseguir conformar-se com a felicidade do vendeiro. Uma grandíssima! No fim de contas que diabo possuo eu?... [...] Que tenho de meu, se a alma do meu crédito é o dote, que me trouxe aquela sem-vergonha e que a ela me prende como a peste da casa comercial me prende a esta Costa d’África?” (p. 27).  Enquanto isso, os negócios de João Romão prosperam e Miranda observa que, para ser muito mais rico do que ele, o rival não teve “de casar com a filha do patrão ou com a bastarda de algum fazendeiro freguês da casa!” (p. 27).

  Miranda expressa a sua desilusão, a frustração das expectativas que o levaram ao Brasil, e inveja a riqueza e a liberdade de João Romão. Mas a verdade é que, ainda assim e ainda que esteja fisicamente muito próximo do cortiço, Miranda observa essa ambiência a partir do seu sobrado, de uma posição física e socialmente superior. Constatando que não consegue competir em riqueza, Miranda forma um novo ideal: a conquista de um título. Sim! Um baronato. Isso o diferenciaria do “pobre” vendeiro e o alçaria definitivamente a uma condição de verdadeira superioridade. João Romão, por sua vez, inveja a classe e as regalias com que Miranda aproveita a vida, sem aparente esforço. As idiossincrasias dos personagens portugueses, novos moradores do Brasil, que aqui vieram para fazer fortuna, mostram como isso se dá a partir da exploração dos grupos menos favorecidos (os brasileiros marginalizados), cujo recorte de trama social tão bem representa a sociedade carioca do século XIX e marca as fronteiras entres espaços e lutas, entre periferias e centralidades sociais.

  Com efeito, o cortiço funciona na obra como sinédoque que ilustra todo o processo de crescimento da capital.  Pela mão de um narrador omnisciente, o leitor acompanha a conceção, o crescimento e as alterações sofridas pelo cortiço ao longo do tempo. O excerto com que abrimos esta página refere-se aos seus primórdios, isto é, ao momento em que o vendeiro João Romão percebe que a expansão da cidade e a chegada de trabalhadores de vários pontos do país e da Europa constituem uma oportunidade de negócio. O português encontra na resposta às necessidades básicas desses trabalhadores uma forma de enriquecer. Assim, cria emprego para os homens, adquirindo uma pedreira; providencia alojamento barato, construindo o cortiço (também referido como estalagem); atende às necessidades de alimentação, abrindo uma venda e uma casa de pasto; e cria uma lavandaria no pátio, cujas tinas aluga às mulheres que ali habitam e sobrevivem como lavadeiras.

Cortiço da Rua Visconde do Rio Branco (1906) – Foto: Augusto Malta/Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Na verdade, O cortiço de Aluíso Azevedo não nos traz estritamente uma visão da formação e da evolução da cidade, mas nos permite uma percepção da paisagem que vai além da mera imagem estudada, colocada numa escala organizada do espaço através das visões propiciadas pelo objeto estudado. A obra nos permite um olhar mais crítico que ultrapassa os limites da abordagem paisagística da exterioridade, captando o implícito da paisagem. O cortiço, manifestação de uma determinada paisagem/realidade carioca, vai-se formando e emergindo paulatinamente sob o olhar curioso do leitor. Um cortiço personagem, protagonista, personificado. Um cortiço que, como um organismo vivo, “acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de janellas alinhadas”, que tinha “Um acordar alegre e farto de quem dormio de uma assentada sete horas de chumbo” (p. 43), e cujo despertar revela ao leitor uma explosão de vida:

Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de somno; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as chicaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janella para janella as primeiras palavras, os bons dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá de dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de gallos, cacarejar de galinhas.

 

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

Rio de Janeiro:  B. L. Garnier, 1890, pp. 43-44.

Cortiço em 1906 Foto: Augusto Malta/reprodução

A paisagem se compõe afinal de partes que não são meras “coisas”, pois a elas as pessoas atribuem significados. O componente humano as dota de valor e as constitui enquanto tal. É o que acontece com O cortiço de Aluisio de Azevedo quando objetos, coisas, estrutura físicas (casas, tinas, bicas, pátios, casa de pasto, pedreira) sofrem a atuação dos sujeitos, personalizando-os. Assim é a paisagem nesta obra: uma ação não ingênua e não casual, que se constrói a partir de um encadeamento lógico de acontecimentos de ordem histórica e social e de uma diversidade de comportamentos, costumes e valores que proporcionam a contínua modificação da paisagem e nos permitem a compreensão daquela sociedade, retratada no espaço de um cortiço carioca.

  À semelhança de qualquer outro espaço urbano, o cortiço é um mundo ruidoso de imagens e sensações. O olhar do narrador revela os seus habitantes num “zumzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas.” (p. 44). Ouvimos os sons que produzem, sentimos os cheiros que emanam, visualizamos a cor dos lençóis estendidos ao sol, das peles de homens e mulheres, e quase sentimos as suas texturas. Adivinhamos os sabores dos “refugados de carne fresca” (p.81), do zorô, do vatapá e das pimentas (p. 85). O narrador desvenda meticulosa e detalhadamente o interior do cortiço: os espaços, os seus habitantes e as respectivas culturas, os vícios, as formas de lazer, ambições, preocupações, amores e desamores. A paisagem faz-se de espaço, de lugares, de objetos, mas também de vida, de movimento, de emoções e de sensações. Assim, mais do que um recorte da paisagem física do Rio de Janeiro em finais do século XIX, a paisagem em O cortiçoé um fenômeno holístico que não cria divisões desnecessárias entre cultura/natureza, humano/não humano, individual/coletivo, percebido/físico e assim por diante” (Lindström, Palang e Kull, 2013: 104, tradução nossa).  É um fenômeno transformado em experiência que resulta, por um lado, de uma descrição detalhada do espaço físico: da localização, da configuração e, até mesmo, dos materiais usados na construção. Por outro lado, e em grande medida, é o resultado da descrição minuciosa das paisagens humana e sensorial (olfativa, tátil, gustativa, visual e sonora, Malanski, 2011). Ou seja, uma paisagem que “[f]ala connosco através de todas as fibras do seu ser” (Landry, 2012: 5, tradução nossa) e que apreendemos com todas a fibras do nosso ser.

  De acordo com o narrador, “durante dois anos o cortiço prosperou de dia para dia, ganhando forças, socando-se de gente” (p.26), “vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputá-los” (p.27). É, portanto, um espaço superlotado, povoado por caixeiros, pedreiros, ferreiros, vendedeiras, taberneiros, macaqueiros, cavouqueiros, carroceiros, canteiros, quebradores de pedra, lavadeiras e amas de leite (brasileiros, italianos e portugueses), bem como pelas inúmeras crianças que ali nascem. Uma reprodução numerosa que confirma a incapacidade de refrear os instintos mais básicos, amplamente retratada nesta obra. Um sublinhar da animalidade do ser humano, próprio da estética naturalista: da volúpia incontrolável, da promiscuidade (com representações inéditas no romance brasileiro da homossexualidade masculina e feminina), de uma quase total incapacidade de dominar os ímpetos perante a sensualidade tropical dos corpos, da música e da dança. Através do olhar do narrador, o leitor é confrontado com um torvelinho de ações, emoções e sensações que ocorrem num ambiente próprio das teorias darwinistas, já que o cortiço é apresentado como um meio no qual a violência e a luta pela sobrevivência são permanentes. Resistem apenas os mais fortes, quer fisicamente quer porque a sua beleza lhes confere poder sobre os demais. À semelhança do que sucede com a paisagem física, também a humana apresenta centros e periferias, como referimos acima, sendo que os homens mais fortes ou mais ricos e as mulheres mais belas e jovens formam o centro. Neste recorte da sociedade vemos como centros e periferias mudam de posição em função de se enriquecer ou de se empobrecer, de se obter um título nobre, de se ganhar ou perder uma briga, e de se ser ou deixar de se ser objeto de desejo.

  Para além da luta individual do Homem pelo centro dentro de uma comunidade, na obra de Aluísio Azevedo sobressai a disputa entre culturas. De facto, se inicialmente há um claro domínio da cultura portuguesa, se são os casais portugueses que têm a primazia, se é o cheiro da comida lusa que se sente no ar, se são os hábitos, a religião, a saudade e a memória do país de origem que se sobrepõem, em determinada altura Portugal passa a ser apenas a lembrança de um passado distante.  Em O cortiço, a assimilação do imigrante pela cultura local é paralela ao processo de abandono da herança lusa. Os portugueses vão-se abrasileirando e o cortiço vai deixando de ser uma paisagem povoada por estrangeiros e marcada pelas culturas dos imigrantes:

Estava completamente mudado. Rita apagara-lhe a última réstia das recordações da pátria; secou, ao calor dos seus lábios grossos e vermelhos, a derradeira lágrima de saudade, que o desterrado lançou do coração com o extremo arpejo que a sua guitarra suspirou.

A guitarra! substitui-a ella pelo violão baihano [...]O português abrasileirou-se para sempre [...].

 

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

Rio de Janeiro:  B. L. Garnier, 1890, p. 297.

 

 

A figura de Jerônimo simboliza esta metamorfose dos homens e do cortiço.  Apaixonado por Rita Bahiana que “tem o aroma quente dos trevos das baunilhas” (p.109), Jerônimo abandona a mulher, a virtuosa Piedade de Deus, na qual passa a reconhecer apenas o “cheiro azedo do corpo” (115). Com Rita, Jerônimo adquire um novo gosto por tudo o que é brasileiro: a música, a dança, a comida, a bebida. Mas é perdido nessa recém-descoberta luxúria que se faz “preguiçoso, amigo das extravagancias e dos abusos” (297), que se lhe vai o “espírito da economia e da ordem” (297) e que acaba por destruir o sonho de enriquecer com que abandonou Portugal.

  A decadência moral de Jerônimo e dos demais personagens levará à degeneração e derrocada do cortiço. O incêndio que o devasta é aproveitado por João Romão, sempre focado em seus negócios, para uma remodelação total, aumentando o número de habitações no mesmo espaço. Qual fénix renascida das cinzas, ergue-se agora na Avenida São Romão a Estalagem de São Romão e o novo sobrado do português:

Mas o cortiço já não era o mesmo; estava muito diferente; mal dava ideia do que fora. O pátio, como João Romão havia promettido, estreitara-se com as edificações novas; agora parecia uma rua, todo calçado por igual e iluminado por três lampiões grandes, simetricamente dispostos. Fizeram-se seis latrinas, seis torneiras d’água e três banheiros. Desapareceram as pequenas hortas, os jardins de quatro a oito palmos e os imensos depósitos de garrafas vazias. À esquerda, até onde acabava o prédio do Miranda, estendia-se um novo correr de casinhas de porta e janela, e dali por diante, acompanhando todo o lado fundo e dobrando depois para a direita até esbarrar no sobrado de João Romão, erguia-se um segundo andar [...].

 

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço.

Rio de Janeiro:  B. L. Garnier, 1890, p. 308.

Com o passar do tempo o cortiço se metamorfoseia, a cidade se transfigura e Botafogo é hoje um bairro com dupla identidade. De um lado, faz a ligação entre o centro e a zona sul, como um bairro de passagem, e, de outro, mantém seus velhos casarões, suas vilas residenciais e mansões (os antigos palacetes) que ainda fazem lembrar o sofisticado e aristocrático bairro que foi um dia, mantendo pouco, ou quase nada, das imagens que marcaram o romance de Aluísio Azevedo. Os cortiços foram varridos da paisagem e as populações marginalizadas concentram-se hoje nas moradias substitutas dos cortiços, as da favela Santa Marta.

Bairro de Botafogo na contemporaneidade. Foto: https://bairrobotafogo.com

O Morro Santa Marta, em Botafogo, também  chamado de "Dona Marta”. Foto: Instituto Pereira Passos/César Duarte.

Botafogo, “o bairro passagem” não perdeu essa característica e continua a acolher os que chegam à cidade, os migrantes, os visitantes e os turistas. É um bairro boêmio, altamente valorizado por concentrar aspectos da vida cultural: livrarias, bares, cervejarias, museus, centros culturais, uma vida noturna cool e descolada, que se mesclam a uma vida domiciliar (pois ainda é um bairro de moradias como nos tempos de O cortiço), num ritmo frenético. Percebe-se que a paisagem física/geográfica, mas também  a vida e seus movimentos diários se transformaram em atrativos turísticos, seja pelo estilo de vida daqueles que ocupam o “asfalto”, pela beleza da Baia de Guanabara, marcada em sua mais famosa enseada, ou mesmo pela vida na favela Santa Marta, que leva os turistas ao Morro.

Enseada de Botafogo - Foto: Pedro Kirilos/Riotur.

Sílvia QuinteiroJaqueline Elicher